Volta Redonda – Os empresários do Sul Fluminense esperam uma melhora na atividade econômica para 2018. Com cenário favorável para exportações, o polo automotivo e o setor metalmecânico vão ajudar a consolidar a indústria da transformação da região em 2018. Os dados são com base na pesquisa ‘Retratos Regionais – Cenário Econômico’ divulgada quinta-feira (8) em palestras online. Especialistas da Federação das Indústrias analisaram dados exclusivos sobre os 17 municípios do Sul Fluminense, além dos cenários econômicos internacional, do Brasil e do Estado do Rio.

Com 1,2 milhão habitantes, e um PIB estimado em mais de R$ 45,5 bilhões em 2015, o Sul Fluminense abriga o maior polo automotivo e metalúrgico do estado. Dessa forma, é a terceira região que mais arrecada ICMS, atrás da capital e da Baixada Fluminense. Além da atividade industrial da região gerar recursos para os municípios, através de impostos, ela também gera oportunidades de empregos para seus habitantes.

A indústria corresponde a 24% do mercado de trabalho, média superior à observada no estado (15%). Dessa atividade, 77% é composta pela Indústria de Transformação: são quase 50 mil trabalhadores divididos entre diversos setores como metalurgia, veículos automotores, naval, produtos de metal e de alimentos.

Quanto à atividade econômica, a Sondagem Industrial da Firjan aponta que, em dezembro, as empresas do Sul Fluminense produziram menos do que pretendiam. Neste cenário, a indústria do município continuou operando abaixo da média, com apenas 56% da capacidade instalada.

Alguns indicadores já apresentaram resultados melhores em 2017. As importações aumentaram (+26%) e o Sul Fluminense é uma das únicas regiões que registrou saldo positivo no mercado de trabalho ano passado ao lado do Noroeste Fluminense.

A Indústria da Transformação abriu 1,5 mil vagas, com destaque para os setores que exportam, como metalurgia, veículos automotores e máquinas e aparelhos elétricos. O Sul do estado também foi uma das poucas regiões a gerar oportunidade de emprego em comércio e serviço, com 1.360 vagas abertas em 2017.

“Esse resultado é muito expressivo tendo em vista as mais de 92 mil vagas fechadas em no estado do Rio em 2017. Pode parecer que a região não está sendo impactada pela crise, mas ela está, de fato, sofrendo os impactos. Por ter uma característica altamente industrializada, consegue buscar os mercados externos para reativar essa economia”, explica o coordenador de estudos econômicos da Federação, Jonathas Goulart, salientando que o dado positivo em 2017 é importante tendo em vista que, nos últimos três anos (2015 a 2017), quase 28 mil postos de trabalho foram fechados.

“As pessoas que perderam o emprego foram buscar oportunidade empreendendo. O número de microempreendedores cresceu 15% e o registro de empresas cadastradas no ano passado no Simples Nacional aumentou 10% em relação a 2016”, salientou o coordenador de estudos econômicos da FIRJAN, William Figueiredo.

Apesar do cenário positivo, a crise econômica no estado se reflete diretamente na atividade industrial da região. A pesquisa mostra que os empresários entrevistados continuam insatisfeitos com as condições financeiras de suas indústrias. O impacto é percebido diretamente na falta de caixa, diante das baixas margens de lucro e da dificuldade de acesso a crédito.

“Vale destacar que em um cenário de recuperação econômica, a primeira coisa que sinaliza que o empresário vai retomar investimentos é a melhora da situação financeira, depois a produção aumenta e, por último, há um impacto positivo no mercado de trabalho”, detalha o coordenador de estudos econômicos da Federação das Indústrias, William Figueiredo.

Com um cenário de retomada da atividade econômica, os empresários do Sul Fluminense iniciaram 2018 otimistas. Eles esperam um aumento na demanda por produtos e, consequentemente, na compra de matéria prima. Por outro lado, a geração de empregos e o volume de investimentos ainda não vão se recuperar neste momento. “Primeiro espera-se retomar a produção, para voltar a contratar e fazer investimentos. Nesse contexto, a expectativa do empresário é que a retomada seja no segundo semestre de 2018 e primeiro semestre de 2019”, detalha Figueiredo.

O polo automotivo é favorecido pelas exportações, principalmente na América Latina e o setor metalmecânico vai ajudar a consolidar a indústria da transformação em 2018. Para este ano, a MAN Latin America, em Resende, já anunciou investimento de R$ 190 milhões no desenvolvimento de uma nova linha de veículos.

Ambiente de negócios é fator chave
para o desenvolvimento da região

Ao observar o ambiente de negócios e como o Sul Fluminense está estruturado para receber novos investimentos, é importante olhar, entre outros fatores, para a segurança pública, que é um desafio em todo estado do Rio. Na região, o roubo de cargas apresentou uma queda de 37% no ano passado, mas com prejuízo de R$ 3,5 milhões.

Isso não significa que o empresário da região está correndo menos risco. Nas estradas da região houve queda, mas a produção se desloca com frequência para a capital e outros estados, onde o índice é maior. Além disso, 2017 foi o ano mais violento dos últimos 10 anos: o índice mostra um aumento de 21% de homicídios em 2017, frente ao ano anterior.

Outro fator é a qualidade de energia. Em 2017, a região ficou na quinta posição em número de horas sem energia do estado (22,4h). O mesmo vale para a qualidade da banda larga em 2016, onde a região registrou a sexta pior do estado. Nesse cenário, os esforços para aprimorar essas questões são fundamentais, uma vez que o aumento de investimentos tem a capacidade de gerar emprego e renda na cidade.

Fonte: http://diariodovale.com.br/economia/pesquisa-da-firjan-revela-que-empresarios-do-sul-fluminense-estao-otimistas/

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