Contudo, apontam os economistas do BofA, os progressos na reforma da Previdência continuam a ser essenciais para manter a confiança e o crescimento sustentável

Após o Santander revisar as suas estimativas para a economia e prever o fim da recessão, o Bank of America Merrill Lynch também apontou que o Brasil encerrará a recessão mais longa e profunda da sua história – que dura já oito trimestres – no primeiro trimestre de 2017. O PIB do período será divulgado pelo IBGE no próximo dia 1 de junho.

De acordo com os economistas do BofA, David Beker e Ana Madeira, os dados da economia têm surpreendido para cima e a previsão é de uma alta de 1,3% do PIB na comparação trimestral em termos ajustados, o primeiro dado positivo desde o quarto trimestre de 2014 e encerrando a mais longa recessão da história.

“Vários fatores estão ajudando a atividade na margem, incluindo a liberação do FGTS e os níveis de confiança, que têm tendência de alta e deve ajudar a impulsionar a recuperação”, afirma Beker e Madeira.

Contudo, apontam os economistas, os progressos na reforma da Previdência continuam a ser essenciais para manter este impulso positivo na confiança econômica. Além disso, a rápida desaceleração da inflação e a flexibilização monetária em meio ao rápido ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic, apoiam as perspectivas de recuperação.

“Reafirmamos nossa previsão de crescimento acima do consenso para este ano em 1%”, apontam os economistas. O relatório Focus desta segunda-feira apontou para uma expectativa de crescimento de 0,47% neste ano, segundo estimativas de economistas (veja mais clicando aqui).  Por outro lado, um mercado de trabalho ainda deteriorado e condições de crédito restritivas tornam este processo de recuperação mais gradual.

Os dados positivos e negativos da economia
Os indicadores coincidentes continuam a ser compatíveis com uma estabilização da economia no curto prazo, afirmam os economistas. A atividade econômica (Índice IBC-Br) em fevereiro surpreendeu positivamente e teve a maior expansão na comparação mensal desde janeiro de 2011, com alta de 1,31% (versus alta de 0,62% em janeiro). Contudo, eles ponderam, o ajuste da pesquisa mensal de serviços e de comércio contribuiu para esses melhores números.

Os economistas também apontam a expectativa pela continuidade de alta dos níveis de confiança. “O aumento da confiança na situação atual e nas expectativas é provavelmente explicado pelo declínio contínuo da inflação e pela recente aceleração do ritmo de flexibilização da política monetária. O progresso na reforma da Previdência é fundamental para manter o impulso positivo na confiança. Neste momento, a expectativa é de aprovação final da reforma no terceiro trimestre de 2017”, reforça o BofA.

Os economistas apontam que a maioria dos indicadores de confiança mostrou melhora: a confiança industrial aumentou 3,3% na comparação mensal em março (versus queda de 1,3% na base mensal em fevereiro), a confiança do setor de varejo aumentou 3,8% no mesmo período (versus alta de 4,6% na base mensal em fevereiro), enquanto a confiança do setor de serviços subiu 5,4% em março (versus alta de 0,6% no mês anterior), segundo levantamento da FGV (Fundação Getulio Vargas). Enquanto isso, a confiança do consumidor teve um dado fraco em abril após três aumentos consecutivos, “provavelmente devido à contínua deterioração do mercado de trabalho”, afirmam os economistas.

E o mercado de trabalho é justamente um dos pontos de fraqueza da economia brasileira. O BofA espera que o pico da taxa de desemprego ocorra somente no terceiro trimestre de 2017 (ante estimativa anterior de atingir o pico no segundo trimestre). Em março, a taxa de desemprego subiu  para 13,7%, ante 13,2% no mês anterior.

Análise do Santander
Vale destacar que, no final de abril, o Santander destacou em relatório esperar uma expansão de 1,1% na base trimestral para o PIB Brasileiro no primeiro trimestre deste ano.

“Essa expectativa está associada ao comportamento mais benigno de diversos fundamentos macroeconômicos, mas também se deve a fatores específicos, cujos efeitos positivos não estarão presentes nos próximos trimestres, tais como (1) a expansão muito forte do PIB da Agropecuária e (2) a revisão metodológica da Pesquisa Mensal de Serviços, que é parcialmente utilizada no cálculo do PIB. Neste relatório, analisamos o impacto desses choques temporários sobre a retomada da atividade econômica no curto prazo”, aponta o economista Rodolfo Margato.

Para 2017, a expectativa do Santander é de uma elevação do PIB de 0,7% ao ano e, olhando mais à frente, a estimativa é de uma alta de 3,0% em 2018, devido a condições bastante favoráveis no campo macroeconômico (ex: expectativas de inflação abaixo da meta; taxas reais de juros substancialmente inferiores às observadas nos últimos anos; aumento da confiança do consumidor e dos empresários) e avanços na implementação de medidas microeconômicas mais equilibradas (ex: concessões e privatizações no setor de infraestrutura; agenda para redução do custo de crédito; e agenda para maior eficiência da política monetária).

Por outro lado, assim como o BofA, o Santander também aponta que as incertezas cada vez maiores a respeito da capacidade e disposição do governo em dar continuidade à implementação das medidas de ajuste fiscal – tendo a reforma da Previdência Social como protagonista – representam o principal risco ao cenário base de crescimento econômico sustentável à frente.

Fonte: http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/6432910/mais-grande-banco-decreta-fim-mais-longa-profunda-recessao-brasil?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=Lara%20Rizerio

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